Depois de um jogo HORROROSO e uma providencial combinação de resultados, o Flamengo definiu de vez sua permanência no seleto grupo dos únicos cinco fodões clubes brasileiros que nunca foram rebaixados da elite do futebol nacional (os outros são Santos, São Paulo, Internacional e nosso algoz de domingo, o Cruzeiro). Enfim, acabou. Sem dar nenhum show, sem convencer, sem brilhar. Sem nem ao menos completar a continha maldita dos 44/45 pontos. Sem conquistar literalmente NADA até aqui.
Exceto pela improvável vaga na Sul-Americana, na qual sigo acreditando, não há mais para onde irmos até o apagar das luzes de 2010. Repassemos o “ano maldito”, então.
NO INÍCIO…
Era promissor. Campeões brasileiros em 2009, a preparação para a atual temporada aconteceu em Porto Feliz, no interior de São Paulo, a cerca de 110 km da capital. A delegação ficou hospedada no CT do Desportivo Brasil (clube administrado pela Traffic) sem qualquer custo até o dia 16 de Janeiro, véspera da estreia no Campeonato Carioca. Elenco e comissão dispunham de luxo, conforto e situação ideal para se trabalhar com tranquilidade.
A ESTRADA ATÉ AQUI…
Chegou o Carioca. Logo na estréia, sufoco para vencer do visitante Duque de Caxias em pleno Maracanã. A primeira de muitas vitórias no ano em que seríamos incrivelmente fantásticos e ostentaríamos não só o título de Campeôes Estaduais como também ergueríamos a Taça Libertadores da América e mais um troféu do Campeonato Brasileiro. Para reforçar a idéia, o início avassalador de Vagner Love, que marcou 12 vezes nas dez primeiras partidas pelo Rubro-Negro, nada mal para quem não teve recepção de gala como Diogo, Deivid e Romário (esse último com desfile em caminhão do Corpo de Bombeiros pelas ruas do Rio) ou tampouco mereceu uma estreia com o Maracanã lotado, como aconteceu com na volta do Imperador em 2009.
E o “Império do Amor” vingou. Raras ocasiões, virou até “Trio Ternura” com a entrada do Pet como meia-ofensivo. Tudo corria bem até que… Tropeçamos uma vez contra Botafogo, o que nos custou a semi-final da Taça Guanabara, e novamente na decisão da Taça Rio. O time do Chororô não conseguia derrotar o Flamengo em uma decisão há (meros) 21 anos. Em um vacilo, tomamos emprestada a alcunha do Bacalhau por um ano: Vice. Cruel para uma Nação já tão acostumada a vencer e que toma por obrigação a conquista anual do título carioca.
E a fase de tropeços estaria longe de terminar. Entrando numa fase terrível, O desorientado time da Gávea passou a se dedicar à competição continental. Na Copa Libertadores da América o Flamengo se classificou na última vaga para as oitavas-de-final, no aperto. Mesmo com a classificação, sobrou para o técnico Andrade, demitido. E a zica era tamanha que o Mais querido acabara eliminado pelo Universidad de Chile, ex-time do argentino e atual celeste carrasco rubro-negro Montillo, no critério do gol fora-de-casa. Fim de um sonho, início do pesadelo.
Após a eliminação, Adriano e Love deixaram o rubro-negro. Em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou o goleiro Bruno suspeito do desaparecimento da paranaense Eliza Samudio. O jogador inclusive chegou a ter a prisão preventiva decretada. Devido a repercussão do caso, a (nada) excelentíssima presidente Patrícia Amorim chegou a anunciar que o jogador seria demitido do clube, mas após reunião em cúpula, a decisão não foi mantida. Mesmo assim, instaurou-se a primeira Crise da Gávea no ano. Páginas policiais estampavam imagens de Bruno e outros jogadores nas semanas seguintes, diariamente, prejudicando a já frágil estabilidade da equipe e manchando a imagem do clube.
Sintetizado o (fraco) segundo semestre, o Flamengo começou o Brasileirão de forma irregular, o que ocasinou a demissão do técnico Rogério Lourenço e logo depois, do seu substituito contratado às pressas, Silas, que juntos acumularam uma grande série de resultados negativos que deixaram o rubro-negro em uma zona perigosa. Contratações tardias, de última hora e supervalorizadas não se justificaram com o passar das rodadas. Até que, em 5 de outubro foi anunciado o novo técnico, Vanderlei Luxemburgo, que assumiu o comando com a missão de tirar o Flamengo de perto da zona de rebaixamento.
À época, o novo comandante disse que sua meta seria levar o time até a Sul-americana. Até aqui, a missão ainda não está cumprida. Nem ao menos nos afastamos da zona de perigo, apenas a ludibriamos com raça e doses cavalares de sorte. Teremos chances de vencer os Moleques da Vila lá, na própria, para seguir “sonhando” com a vaga na competição internacional? Saberemos depois do pontapé inicial, no domingo. Até lá, cabe a mim seguir acreditando que sim.
ENTÃO…
O ano foi um verdadeiro pesadelo futebolístico. E mesmo assim com o Flamengo eu (quase) chorei, com o Flamengo eu sorri, com o Flamengo emoções eu vivi. Porque isso é fechar com o certo. Isso é ser rubro-negro.
Vale lembrar que o Flamengo não é o que DIZEM que ele é, mas sim o que a Nação SENTE. É raça, é amor e é paixão, na alegria ou na tristeza. Simples assim.
Vaya con Dios, 2010! Não vai deixar saudade.
E vamo que vamo.

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