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Zico

Um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e um grande símbolo do Flamengo, Arthur Antunes Coimbra, o Zico, está ganhando status na carreira de treinador.

Em outubro de 2002, assumiu o comando técnico da seleção do Japão. Lá ficou até junho de 2006, quando entregou o cargo após ser elimado na primeira fase da Copa da Alemanha. O Japão caiu no grupo F do Mundial, ao lado de Brasil Croácia e Austrália. Perdeu a primeira partida para o time da Oceania, de virada, por 3 a 1, empatou em 0 a 0 com a Croácia e foi goleado por 4 a 1, também de virada, pelo Brasil.

Sob seu comando, além dessa goleada na copa do mundo, os japoneses já tinham enfrentado a Seleção Canarinho, obtendo um empate em 2 a 2 com a equipe de Parreira.

Em julho de 2006, logo após o Mundial da Alemanha, Zico assumiu o comado do Fenerbahçe, da Turquia, substituindo o alemão Christoph Daum. No dia 3 de junho de 2008, agências chegaram a divulgar a contratação de Zico pelo Manchester City. Mas o time inglês, na última hora, decidiu acertar com Mark Hughes. Em setembro de 2008, o Galinho recebeu uma proposta irrecusável para dirigir o obscuro Bunyodkor, do Uzbequistão, que tinha contratado no mês anterior o pentacampeão Rivaldo, e aceitou.

Foto tirada em clássico entre Flamengo e América na década de 1970 no Maracanã. Zico está driblando Geraldo e Alex (sentado), ambos do América. Observam o lance Tadeu Ricci (camisa 8) e ao fundo Luisinho (de barba)

Nascido no dia 3 de março de 1953 numa família de craques, entre eles Eduzinho, o Edu, que jogou no América nos anos 60 e 70, Zico chegou ao Flamengo no começo dos anos 70. "Fico feliz por ter levado o Zico para o Flamengo, meu time de coração. Eu fui assistir ao jogo de uma equipe de meninos chamada River e fiquei surpreso com a atuação do Zico. Ele marcou 12 gols naquela partida. Senti que ele era um jogador com muito potencial. Falei com o pai dele, que também era um rubro-negro roxo, e o Zico foi para o Flamengo", conta o jornalista Celso Garcia.

O franzino e pequeno carioca foi submetido a um trabalho especial para fortalecer sua musculatura e assim ganhar realmente chance no time profissional. Habilidoso, Zico era um meia diferenciado. Ótimo cobrador de faltas, preciso nos arremates, driblador e bom lançador, ele se tornou num dos maiores craques do Brasil nos anos 70 e 80.

Zico na chegada ao Bunyodkor, do Uzbequistão, no dia 24 de setembro de 2008

Muitos entendem que Zico é um "injustiçado" por não ter um título mundial com a seleção brasileira. Em 1982, ele esteve bem perto da conquista, mas o Brasil, que era sensação do Mundial da Espanha, foi derrotado pela eficiente Itália do implacável Paolo Rossi, autor dos três gols da Azzurra na vitória por 3 a 2.

Em 1986, Zico teve nova chance de defender a seleção brasileira em uma Copa do Mundo. No entanto, as sérias contusões no joelho deixaram o meia bastante debilitado. Mesmo assim, Zico recebeu a confiança do técnico Telê Santana que o levou para o México.

Zico, com o agasalho do Bunyodkor, posa com jogadores brasileiros do Adelaide United, da Austrália. São eles, da esquerda para a direita: Cristiano, Diego e Cássio (ex-Flamengo)

Reserva no time de 86, o Galinho ficou marcado naquele mundial pelo jogo contra a França, na fase quartas-de-final. Naquele jogo, Zico entrou no segundo tempo e deu um passe primoroso para o lateral-esquerdo Branco, que driblou o goleiro Bats e sofreu pênalti. A partida estava empata por 1 a 1. Zico bateu a penalidade e Bats defendeu. O jogo foi para a prorrogação e depois para a disputa de pênaltis, onde o Brasil perdeu para a França e foi eliminado da Copa. Mais uma "injustiça" com um time dirigido por Telê Santana e, principalmente, com Zico. Na sua história com a camisa canarinho principal, Zico marcou 66 gols em 88 jogos (65v, 19e e 4d). Pelo escrete olímpico, foram apenas cinco jogos (3v, 2e) e anotou um único gol no dia 11 de dezembro de 1971, na vitória de 1 a 0 sobre o Peru.

No Flamengo, tirando as contusões sofridas, Zico não pode ser lembrado por momentos tristes. Muito pelo contrário. Com a camisa do rubro-negro, marcou 502 gols em 727 jogos (428v, 180e e 119d) segundo o Almanaque do Flamengo, de Roberto Assaf e Clóvis Martins, conquistou vários títulos (entre eles, o Mundial de 81 e os Brasileiros de 80, 82 e 83 e a Copa União de 87). "Fui muitas vezes ao Maracanã só para ver o Zico, meu principal ídolo no futebol", conta a atriz Malu Mader.

Zico cobra uma falta em clássico entre Flamengo e Botafogo no final da década de 1980. Na barreira, o cabeludo de barba é Paulinho Criciúma. Milton Cruz está no meio da barreira (à direita), está o volante Carlos Alberto Santos.

Entre 1983 e 1985, o Galinho atuou pela Udinese, da Itália. Mesmo em uma equipe considerada sem muita expressão, Zico brilhou e foi ídolo na Itália. No final dos anos 80, ele se transferiu para o futebol japonês e mais uma vez não decepcionou. Foi grande ídolo, o maior de todos, da história do Kashima Antlers.

O Galinho foi premiado pela Revista Placar com Bolas de Ouro e de Prata em 1974, 1975, 1977, 1980, 1982 e 1987.

Casado com Sandra, o eterno camisa 10 da Gávea tem três filhos: Júnior, Tiago e Bruno, além de um neto nascido no primeiros meses de 2008.

A belíssima seleção de 82. Em pé, da esquerda para a direita: Telê Santana, Valdir Peres, Oscar, Edinho, Luisinho, Toninho Cerezo, Júnior, Renato Pé Murcho, Sócrates, Leandro, Juninho e Carlos. Agachados: Edevaldo, Zico, Paulo Isidoro, Batista, Serginho Chulapa, Paulo Sérgio, Dirceu, Éder Aleixo, Careca e Pedrinho.

Fonte: Milton Neves

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